PROJETO METE MÃO | Contação de Histórias

Nessa atividade, contamos com a participação de Helena Nascimento, pedagoga (UNEB) especialista em Estudos Étnicos e Raciais (IFBA) e coordenadora do projeto “O que tem atrás da porta?” Ela acompanhava a equipe do PET, comporta por Rebeca, Tauan e Marcelo.

A oficina, sob sua liderança, baseou-se em trazer uma experiência de narrativas de literatura negra para as crianças. Através da voz de Helena, os meninos e meninas ali presentes puderam ouvir histórias protagonizadas por crianças negras, e que nas fábulas vivenciam dilemas que podem estar presentes na vida de muitas das que ouviam. Uma estória contada, A menina que deu a volta ao mundo, é sobre uma pequena garota que sempre amarrava seus cabelos crespos para ir a escola. Um certo dia, esta menina tem um sonho, com uma anciã com a pele negra igual a sua e longos cabelos crespos. Logo após acordar a garota quer saber quem era aquela senhora que aparecera em sem sonho. Ao vê-la num álbum de família e perguntar a sua mãe, a menina descobre que quem estava no sonho era sua avó. A personagem principal fica encantada com os volumosos cabelos crespos e grisalhos de sua avó e, a partir disso indaga-se o porquê dela ter que amarrar seus cabelos para ir para a escola. Na noite após o questionamento, a menina sonha novamente com a senhora. As duas estão juntas no sonho, e a garota fica muito feliz por estar com seus belos cabelos soltos, parecidos com os da vovó. Essa foi uma de várias estórias trazidas por Helena. Lá na atividade tinham cerca de 8 livros infantis, todos, com exceção de um, com ilustrações e personagens negros. Isso serviu de ponte para trazer o questionamento para as crianças.

Helena trás perguntas, de modo a estimular a mente das crianças para que elas vejam que na maioria das estórias que elas têm acesso há uma predominância de personagem brancos. A pedagoga pergunta para as crianças o que todos aqueles personagens nas capas do livros têm em comum. Eles demoram um pouco para identificar, no entanto quando ela mostra aquela única capa destacada com uma personagem de pele branca, elas veem o que todas aquelas capas tem em comum, os personagens serem negros. E a partir disso Helena procura saber, dirigindo-se às crianças, qual a cor predominante dos personagem dos filmes, livros e desenhos que eles assistem. Com o estimulo, todos reconhecem que em grande parte dos conteúdos artísticos e/ou de entretenimento que chegam a eles têm mais personagens brancos do que negros. Após as crianças terem esse entendimento, e conversarem um pouco sobre o assunto, a professora muda a dinâmica da oficina.

Após isso ela apresenta uma caixinha, e diz que irá mostrar o que tem lá dentro para cada um, individualmente. Também fala que quem ver o que tem dentro da caixa não pode falar para quem ainda não viu. Para cada criança que olhava ela perguntava se o que estava dentro da caixa era lindo, especial ou maravilhoso. Algumas crianças davam um sorriso tímido e diziam que sim. No final da dinâmica descobre-se que o que havia dentro da caixa era um espelho. Esta atividade, portanto, agiu no sentido de aumentar a autoestima das crianças, a maioria de pele negra, que ali estavam.

Um acontecimento que me impressionou muito durante a atividade foi quando Helena pergunta a uma pequena, negra: “Qual a cor da sua pele? É igual a dessa menina do livro?”. A menina de 4 anos responde que a pele dela é branca, igual a pele de um dos petianos presentes. Helena brinca e pergunta se ela tem certeza disso e a criança ri respondendo que sim. Isso evidencia algo que foi constatado durante a primeira dinâmica, que é o predomínio da influência da estética branca para aquelas crianças. Neste caso chegou com tanta incisão, que a pequena garota negou a sua cor. Foi um choque também pelo fato da menina estar muito próxima da primeira idade e ter essa visão, o que pode ser muito prejudicial para sua autoestima durante o seu desenvolvimento.

Por sintomas tais como este descrito no parágrafo anterior que se faz extremamente necessárias atividades como esta. Pois a partir de um questionamento de um padrão branco e o reconhecimento de uma identidade negra, essas crianças podem se reconhecer como belas, compreendendo que existem diversos tipos de belezas, para além daquela explorada pelas propagandas, filmes, novelas, etc. Além disso, por ser um trabalho com crianças, é algo que pode contribuir muito para a vida adulta. Sem atitudes como essa, a autoestima de algumas destas crianças não são trabalhadas até a adolescência, e às vezes até a vida adulta. Quando empodera-se crianças, você forma adultos mais fortes para baterem de frente contra o racismo; e as atividades do “O que tem atrás da porta?” vem colaborando muito para isso.

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